quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Morena


olhos castanhos preenchidos de “je ne c´est quoi” acompanhados por sobrancelhas fortes… nariz pequeno e delicado vive em cima de lábios feitos a pincel fino com tinta proibida, perfeitos em qualquer movimento… orelhas sensíveis envolvidas de pele suave e viciante, composta de atenciosos e doces sinais… queixo de menina, cabelo de mulher… tens ternura e és meiga, confusa e dona de um feitio agridoce… actuas como menina, chamas como mulher… em ti tens algo que ainda não sabes… pedra preciosa coberta de perfeita banalidade… andas e desfilas no meu mundo… sorris e iluminas o canto mais escuro… a tanto que não sinto o teu cheiro, mas nunca me esqueci do teu perfume… a tanto que não te toco mas conheço o mapa do teu corpo… o meu instinto leva-me ao nosso esboço, a minha razão leva-me a passar uma borracha por cima… já tivemos um ponto final mas estou preso nas reticências…

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Ténue


Hoje sou papel
Deitado no chão
Pisado pelas pessoas
Molhado pela chuva

Hoje sou um velho tecido
Rasgado pelo passado
Com nódoas intratáveis
De beleza esquecida

Hoje sou incapaz
E ponho a máscara
Quero mas não peço
Espero e desespero

Sou brisa repentina
Forma esquecida
Ser incrédulo
Humano ténue 

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Liberdade Obrigatória


Sei lá eu
O que diga, o que faça
Hoje sou frágil
E a alma não desembaraça
A imunidade é o meu objectivo
Pois a resto é uma farsa
Sinto-me ligado a tudo
E no entanto não tenho nada

Mas o que estou a dizer?
Que raio ando a fazer?
Pareço um menino
Sedento por compaixão
Seja de que forma for
Mas suplico…
Façam-me sentir a minha própria presença…
Nem parece que estou no meu direito
Mas na verdade estou…
E parece surreal ter tal acto cumprido…

Serei fraco por estar assim?
Por querer deixar cair o corpo
E ter alguém que o agarre?...
Serei fraco por sentir?
Então o que é ser forte?
Talvez uma capa de quem é ainda mais frasco
E talvez o fraco seja um corajoso pois assume que o é…

Não me domino
Logo nunca serei imune ao que temo
Tenho a liberdade obrigatória de viver tudo…



domingo, 9 de outubro de 2011

Humano


Lembra-te…
de todas as promessas e frustações
do que te causaram e do que criaram
respira fundo e olha para ti
não pode ter sido tudo em vão…

a minha armadura
me tornará imune…
o meu quadro
terá cores sinceras…
sou Humano…
e peco por isso
tenho um eterno compromisso
com paradgimas e complexos
fazem parte de mim…

sou insanciavel por natureza…
quero que tudo e nada aconteça…

ruleta russa na minha cabeça
coração acelarado
se ameaçar a minha vida de ela se disperçar
ganhará o meu corpo vontade de lutar?
Lá no alto está o brilho das estrelas
Mas sou cego…
Com elas estão os meus sonhos
Mas não la chego…



quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Telhado


Continuo a lutar
Não sei com que forças
Mas continuo…
Porque isto é algo maior que se levanta
Que mude o mundo mas não se muda de quem ama…

Por mais que diga…
“Estou aqui”
Por mais que demonstre
O quanto gosto de ti
Tu sucumbes aos teus medos e complexos
E desistes…

Mesmo que pinte o mundo de outra cor
Mesmo que declare guerra e lute por nós
Haverá sempre algo…

Amar é não olhar a dificuldades
Mas sim a possibilidades
Para encontrarmo-nos com quem nos perdemos...

No meu telhado
Invejo as estrelas
Pois elas sempre estarão contigo…

Não me arrependo
De nada…. Nada mesmo….

Por te amar… assim tão loucamente
Com este fervor de quem te quer intensamente
De quem quer que sejas feliz eternamente
Aqui abdico…
Dos meus desejos mortais
Do meu egoísmo banal
Deixo-te…
Porque ainda não te encontras-te
E eu vim intrometer-me no teu caminho…

O tempo de estar contigo
Parou… irá retornar?
Não sei… ninguém o saberá…

Os nossos sentimentos…
As nossas mãos…
Os nossos sonhos…
Os nossos lábios…
Os nossos momentos…
Os nossos corpos…
Se tornaram desconhecidos e serão esquecidos…

Não estou a desistir
Estou apenas a admitir
O nosso fim…

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Estrada dos Sonhos


Estou a caminho
Da estrada dos sonhos
E está nas minhas mãos
Fazer o certo ou o errado

Sinto-me mais perto das estrelas
Tão perto que tenho medo
Não quero cair
Vou destruir a barreira
Entre o sonho e a realidade
Entre o imaginário e o possível

Porque preciso tanto disto
Como do ar que respiro
Preciso tanto disto…

O trajecto é desconhecido
Só sabe quem já o percorreu
Estes são os meus primeiros passos
Sobre o asfalto
É uma droga
Em que me quero viciar
Sonhar e realizar
Quero construir pontes
Entre o presente e o futuro
Entre a mente e o sentimento mais puro

Porque preciso tanto disto
Como do ar que respiro
Preciso tanto disto…

Este é o meu amanhecer
Estou a gostar do que estou a conhecer
Não vou parar
Não terei anoitecer

Porque preciso tanto disto…
Como do ar que respiro…
Preciso tanto disto!

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Vagueando


Caminho na rua…
Vagueando por uma grua…
Que me coloque, me mova…
Que aponte ou que até me diga em que estado estou…

O sinal verde diz me para avançar…
Mas nem sei para onde me deva virar…
Nunca passei de um sinal intermitente…
Acho que nunca estive realmente consciente…

Vou entre as pessoas…
Por sítios luminosos para me iludir de falsas montras…
Há tanto lá fora, formas, vida…
Há tanto que se dispersa cá dentro, intocável, nada…

Nem a musica me acompanha…
O dia não foi amigo nem a noite boa conselheira…
Embrulhei-me em mim…
Procurei tantas respostas e agora perdi-me…

Cansado da futileza…
Querendo que algo apareça…
Vagabundo sem folgo…
Endiabrado num peso morto…

Apenas quero um abraço…. Um simples e forte abraço…
Para me sentir envolvido em algo…